segunda-feira, 9 de março de 2015

Lesbiandade não se justifica...



... a pessoas heterossexuais e homens (seja lá qual for). Eu estou cansada de pedir perdão, licença poética e agir como se estivesse agradecendo ao mundo por me permitir (e nem permitem) preferir chupar uma buceta a sentar de novo num pau. Eu tive sim minha porção (de fel) da heterossexualidade e não importa se foi uma escolha consciente, se eu nasci assim, se é uma junção das coisas a forma como minha sexualidade se manifesta agora. O que é incontestável:
.a heterossexualidade só foi pra mim violência e negação
. eu gosto de mulheres, eu colo velcro, eu gosto de colocar a aranha pra brigar
E estou infinitamente cansada de ter que contar detalhes violentos da minha vida sexual para que aceitem o fato de que não quero mais me relacionar com homens. Porque isso não é da conta de ninguém, porque isso me fere e porque eu tatuei no meu ombro esquerdo "Viver sem tempos mortos" fazendo referência a tudo que sofri vivendo enquanto mulher heterossexual. Eu não quero mais me sentir obrigada a esfregar meu próprio passado na minha cara para matar a curiosidade alheia. Eu não vou falar mais nada e vou me esforçar pra cada dia mais me apropriar da palavra que temi boa parte da minha vida "L É S B I C A".
Eu não fico interrogando às amigas heterossexuais quanto a sua sexualidade, a não ser que elas tragam esses questionamentos para mim (e se você não quer ouvir minha opinião por favor não peça) e em um momento de intimidade, confiança e partilha ouço e falo sobre nossos sentimentos e sobre o que nos fere com relação a isso. Por que eu me sinto obrigada sempre a contar detalhes íntimos da minha vida para que as pessoas (maior parte mulheres héteros e homens) aceitem o fato óbvio de que há um ano e meio eu descobri o que eu sou e gosto? Sim, foi após mais de 20 anos de vida, mas tem gente que morre sem saber nem se gostava de estar vivo ou não.
Se no início havia aquele sentimento neófito de empolgação e adrenalina do medo da descoberta, depois os períodos tensos de profunda reflexão e questionamentos, hoje me sinto cada vez mais feliz em ser lésbica por mais que eu seja ferida por conta disso. Mas a ferida não vem como vinha antes de dentro de mim para fora, ela vem de fora e cabe a mim decidir se vou engolir ela ou regurgitar na cara de quem me fere. Hoje eu estou vomitando na cara de todo mundo:

"LÉSBICA, FANCHA, SAPATÃO"

A parte mais feliz da minha vida é a minha lesbiandade, quando eu me sinto mais feliz é quando estou entre outras lésbicas, nunca tinha sentido tanto prazer sexual (mesmo transando com mulheres) como sinto agora que assumi pra mim a minha lesbiandade. E da mesma forma que eu orava pedindo a deus que nunca me deixasse sair da sua presença (intencionando dizer "nunca me deixe tornar essa coisa horrível que eu penso ser... shiiiu... fala baixinho les bi ca), agora eu só peço a mim mesma pra nunca me deixar enganar novamente porque eu sou

 L É S B I C A!

Porque também minha lesbiandade não se justifica, não  pede licença, nem "muito obrigada", se impõe.


Saluba Nanã!



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