"Algumas merdas fedem mais do que as outras"
Nick, Orange is the new black
Hoje eu estava lembrando de quando eu assistia filmes americanos na Sessão da Tarde e ouvia adolescentes reclamarem de privacidade. Todo mundo merece privacidade, né? E a questão da privacidade vai além de querer ver pornô no quarto e seus pais permitirem que você tranque a porta para isso.
Mas eu achava tão patético e estranho aquelas crianças reclamando de privacidade quando eu tinha escova de dente compartilhada e lá em casa "a gente não troca de roupa aqui. a roupa é que troca de corpo". Hoje eu vivo cercada de pessoas que levam um estilo de vida que pra mim era coisa de gente rica e pra não dizerem que eu centro sempre o problema na minha própria experiência, a minha experiência era apenas reflexo da situação política e económica que o Brasil vivia.
Sofrer, vocês sabem, todo mundo sofre. Até um inseto sofre. Tipo, mesmo a formiga não tendo lá um alto grau de consciência, se você esmaga ela, ela sofreu um atentado. O que acontece é que assim como o sofrimento da formiga não é um problema meu e nem pauta de reivindicação política (ou não deveria ser, porque provavelmente é), certas coisas que mulheres e outros humanóides sofrem não é problema meu e não deveria ser pauta política. Considerando que as pessoas da minha idade cresceram ouvindo a Britney cantar e ficar semi desnuda (ou completamente nua) e antes dela a Madonna já fazia o mesmo com um pouco mais de densidade no que se refere a chamar isso de "liberação sexual da mulher" reivindicações como ser livre pra apanhar na cama, dar de quatro ou namorar homens "eu dou o cu, dou a buceta, se for pra o inferno dou no colo do capeta" não está na minha lista de prioridades de reivindicações enquanto feminista.
Desde a era do Calígula sadomasoquismo e transar com homens tá liberado. Então contem até 3 e respirem " 1 2 3 ufa! ninguém vai de fato me condenar por isso". É óbvio que é muito chato não poder falar sobre isso em reuniões de domingo na família e mulheres 'de família" não poder falar de sexo é oriundo de misoginia. Afinal, o churrascão de domingo serve para as outras mulheres, aquelas que dançam Valeska Popozuda até o chão mas fala muito mal da vizinha que traiu o marido. Mas em um mundo que eu nem seria convidada para o almoço de família (nem reivindico isso, apesar de subjetivamente essa ser uma coisa que me corrói, eu não reivindico a estrutura familiar patriarcal de nenhum modo e em nenhum contexto) e em uma escala maior esse meu sofrimento não significar nada comparado ao mundo daquelas 214 meninas africanas que foram sequestradas voltaram todas grávidas e não vão conseguir abortar, o seu sofrimento de não poder dar de quatro porque essas feministas peludas/lésbicas e frígidas que mancham o nome do movimento não deixam chega a ser engraçado e meio patético.
Mas é um bom reflexo da natureza humana egocêntrica, minha vó preferiria chamar de "disgramenta".
Feliz sábado! Quebra tudo! Aproveita e leva uma plaquinha pra balada "Viva a heterossexualidade, vou transar sim! Uhul!" melhor tatua um Lanboutin escrito "Girl Power" no ânus.

Nenhum comentário:
Postar um comentário